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Palestra sobre a História e Geografia da África
CICLO DE PALESTRAS REFLETE SOBRE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DA ÁFRICA
da Assessoria de Comunicação da PUCRS A África e seus aspectos geográficos e históricos serão abordados no Ciclo de Palestras " Continente Africano", que ocorre de 23 a 26 de abril na PUCRS (segunda a quinta-feira). A atividade tem entrada franca mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, não necessita de inscrições e ocorre no auditório do prédio 40 do Campus Central da PUCRS (avenida Ipiranga, 6681) das 17h30min às 19h.
LEIA MAIS NO BLOG:
Escrito por geovanimachado às 00h40
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"Toda noite tem aurora
Raios toda a escuridão!
Moços - creiamos não tarda
A aurora da redenção!"
CASTRO ALVES
Escrito por geovanimachado às 23h26
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Categoria: Link
Escrito por geovanimachado às 23h12
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LANÇAMENTO DO CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL
O Lançamento oficial do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil ocorrerá em Belo Horizonte:
Veja a programação:
Dia 20 de Abril de 2007: Ato de Lançamento do Congresso
Horário: 20hs
Local: Sede do CREA, na Avenida Alvares Cabral, 1600 – Belo Horizonte/MG
Dias 21 e 22 de Abril de 2007: Assembléia Nacional
Local: SESC Venda Nova – Rua Maria Borboleta s/no., Bairro Jardim Comerciários, Belo Horizonte/MG
Informações: congressonacionalnegrasenegros@yahoo.com.br
Fones: Fundação Centro de Referência da Cultura Negra (031) 3222 5777 ou (031) 9602 9357
Cenarab/MG (031) 3222 0704
Informações entre em contato com a unegrors@gmail.com
Escrito por geovanimachado às 15h19
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Rio Grande do Sul
ÚLTIMA PARTE
Rio Grande do Sul se organiza para o Congresso Nacional de negras e Negros do Brasil
Estiveram presentes ao Ato de Lançamento do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil – Seção RS: Senador Paulo Renato Paim (Canoas), Dep Est Raul Carrion (Poa), Ver Comasseto (Poa), Ver Batista Conceição (Santana do Livramento), Sra Ivonete Carvalho (Santa Maria), representando a Ministra Matilde Ribeiro da SEPPIR, a Sra Neusa Zoch (Poa), representando a Sra Yeda Rorato Crusius governadora do Estado, Paulo Axé – quilombola (Macapá/Ap), Sr Vitor Hugo (Poa), representando a Direção da Associação de Carnaval, Sr José Antonio (Eldorado do Sul) – UNEGRO e presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra – CODENE.
Também tivemos representantes das seguintes organizações: CECDR/Cut-RS, Força Sindical, GT Negros, Grupo Negras em Canto, ABPN Regional Sul, Fundação Leopold Sedar Senghor, CONAN, Grupo Produto Nacional, Coletivo de Negros SINDISERF/RS, Coletivo de Negros do SINTRAJUF/RS, Ilê Aracha de Olokun, FASE, Rádio Comunitária Obirici, Movimento Negro Unificado/MNU, União de Negros pela Igualdade/UNEGRO, ODOMODE, CDHPFE-Iren/Passo Fundo, CEUE Pré-Vestibular, Mocambo Amapá, CIPP/Canoas, IACOREQ, Cândido Velho (Guaíba), Movimento Quilombista Contemporâneo, GT Negros da ASSURGS, Grupo Anastácia (São Leopoldo), Sindicato dos Metalúrgicos (Caxias do Sul), Grupo Unir Raças (Esteio), IAFRA, AECPARS, Coordenadoria do Negro de Pelotas, Quilombo de Morro Alto (Osório), Fórum de Religiosos de Matrix Africana, entre outros.
Neste Ato estiveram representados os seguintes municípios: Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Alvorada, Viamão, Pelotas, Santa Maria, Passo Fundo, Caxias do Sul, Santana do Livramento, São Leopoldo, Esteio, Canoas e Novo Hamburgo.
A Coordenação Política Estadual apontou o novo encontro na cidade de Pelotas, no dia 14 de abril, para eleger as representações na Coordenação Nacional e formatação das Coordenações Regionais.
Cada município presente assumiu o compromisso de formar na sua região a Coordenação Regional e indicar pelo menos dois representantes para compor a Coordenação Estadual
Na opinião dos presentes o Ato foi muito produtivo e teve a animação dos Grupos Ponto Z, Grupo de Raiz e Bom Partido. Um apresentação especial de Claudinha Quadros, cantora do Grupo Negras em Canto.
Assim o RS da inicio a construção e sua contribuição ao Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil.
Os membros da Coordenação Política Estadual, vão reivindicar junto a Coordenação Política Nacional, que uma das etapas de reuniões de articulação nacional aconteça no RS.
Escrito por geovanimachado às 15h17
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Rio Grande do Sul
TERCEIRA PARTE
Rio Grande do Sul se organiza para o Congresso Nacional de negras e Negros do Brasil
Por outro lado, resgatando a trajetória de luta das organizações da população negra na diáspora, torna-se importante lembrar do Iº Congresso Afro-Brasileiro (realizado em Recife/PE, em 1934), do IIº Congresso Afro-Brasileiro (realizado em Salvador/BA, em 1937), da Iª Convenção Nacional do Negro (realizada em São Paulo/SP, em 1945), da Conferência Nacional do Negro, instalada em 1949, na cidade do Rio de Janeiro, com continuidade em 1950, com criação de um Comitê de Organização do Iº Congresso do Negro Brasileiro, com a participação de Abdias do Nascimento, Edson Carneiro, Guerreiro Ramos, Roger Bastide, Florestan Fernandes, Agnaldo Camargo, entre outros, e do Ato Público de 1978, realizado nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, onde foi lançado o Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, depois transformado em Movimento Negro Unificado.
Contemporaneamente, necessitamos, com urgência, ampliar esse debate em todos os segmentos da sociedade, procurando sistematicamente dar maior visibilidade a eventos, ações e práticas que visem abrir espaços de construção para uma nova tradição que considere sem hipocrisia e de maneira escancarada a pluralidade da etnicidade brasileira, tomando como desafio a conquista da efetiva igualdade racial.
A consciência não deve ser apenas "negra", precisa ser ampliada para todo tecido social na busca de um novo referencial de civilidade, como resultado de um compromisso voltado para a reorientação de nossas práticas rotineiras pautadas pelo preconceito.
A leitura crítica da realidade, a partir do indeferimento do modelo unicamente eurocêntrico, nos faz pensar que se a luta de Zumbi no Quilombo de Palmares tivesse triunfado contra o exército colonialista o Brasil não conviveria com a miséria material e intelectual existente e não seria racista, pois Palmares, antes das idéias marxistas, era pluriétnico e socialista.
A rebeldia surgida com o aquilombamento não significou apenas a negação do modelo escravista de produção, mas implicava em organizar uma outra maneira de produzir – coletivamente – e em um novo modo de vida, uma nova sociedade.
Importante ressaltar, a construção coletiva de nossa juventude neste momento na construção do Primeiro Encontro de Juventude Negra do país, paralela a construção do Congresso.
Por tudo isso, os princípios de resistência, de protesto e de articulação da luta contra o racismo e as desigualdades de gênero e de classe, representados neste Congresso Nacional de Negras e Negros, devem também representar uma invulgar oportunidade para reforçar a reflexão e a ação sobre os graves problemas étnicos de nossa sociedade.
Neste contexto, as entidades do movimento negro do Estado do Rio Grande do Sul assumem o compromisso neste Ato realizado na Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre, de lançar oficialmente o Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, seção RS.
Procurando sobrepujar nossas diferenças, na reafirmação de nossas convergências, contamos com o apoio e a participação de todas e todos na construção do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, que representará a afirmação do compromisso no sentido da superação das desigualdades, rumo do estabelecimento de uma verdadeira democracia racial e um novo modelo de Estado, no que compete ao povo negro brasileiro.
Escrito por geovanimachado às 15h16
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Rio Grande do Sul
SEGUNDA PARTE
Rio Grande do Sul se organiza para o Congresso Nacional de negras e Negros do Brasil
A questão racial vem pontuando, em todo o mundo, as discussões voltadas à conquista da cidadania. Inegavelmente, dados de pesquisas realizadas e divulgadas nos últimos anos revelam a condição de inferioridade em que historicamente se encontram trabalhadores negros (homens e mulheres). Desde as dificuldades de acesso à Universidade, impedindo a formação acadêmica e qualificação da mão-de-obra para um mercado reservado desde a colonização do país aos descendentes dos europeus até o cerceamento ao exercício de funções de chefia ou comando em qualquer ramo de atividade.
Recuperando os fragmentos de nossa história, vamos refletir sobre o significado de todas as iniciativas que visam retirar os descendentes de africanos escravizados da masmorra social amplamente visível nas filas de desempregados, nas favelas, nas prisões, nos quilombos rurais e urbanos, enfim, em todos os redutos sociais onde se encontra abundante a miséria, a fome e a pobreza geradora da violência institucionalizada, intimamente ligada ao contingente humano representativo de aproximadamente 50% de nossa população.
A reiteração dessas informações estatística fez com que nas últimas décadas fossem desenhados e implementados leis, recursos e outros dispositivos de correção dos problemas raciais. Todavia, as ações afirmativas, as políticas de cotas e de reparação passam a existir no horizonte do possível ainda como tímidas alternativas para minimizar o imenso fosso que nos separa de uma verdadeira democracia racial.
Como questão estrutural da sociedade brasileira, as relações raciais necessitam de uma atuação categórica e especial de todas e todos no sentido de valorizar a herança cultural e a participação dos afro-descendentes na construção de nossa história e identidade.
Neste sentido, temos que ressaltar que a não aplicação da Lei nº 10.639, de 09.01.2003, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", abrangendo o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil, revela um forte viés de intolerância étnica no ensino brasileiro.
Escrito por geovanimachado às 15h15
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Rio Grande do Sul
PRIMEIRA PARTE
Rio Grande do Sul se organiza para o Congresso Nacional de negras e Negros do Brasil
Lançado no dia 23 de Março de 2007 o Manifesto de Negras e Negros Gaúcho Pró Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil - Seção RS
O CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL, que congrega as principais entidades do Movimento Negro Nacional, já é uma realidade que irá acontecer entre março de 2007 e março de 2008, tendo como ousado objetivo traçar uma pauta de protagonismo no cenário político nacional, através de um debate amplo, aberto e aprofundado sobre as condições de vida do povo negro na sociedade brasileira, fundamentado no imenso passivo étnico que o Estado brasileiro acumula com sua população negra desde a época escravagista.
Assumindo a responsabilidade de enfrentar toda a gama de problemas que a população negra vivencia em nossa sociedade, até mesmo por reconhecer a incapacidade e inabilidade que as instituições (poderes constituídos, partidos políticos e outras) têm na formulação de soluções para o grande problema exist ente. O citado Congresso propõe ser, em sua essência, um espaço de construção de luta política para buscar a concretização dos anseios da população afro-brasileira.
Como sabemos, por qualquer ângulo que se observe, nosso País é socialmente injusto e etnicamente desigual, fato demonstrado pela simples exibição dos indicadores sociais, econômicos e educacionais, sofrendo a população negra (pretos e pardos, segundo o IBGE, em quantitativo de 90 milhões de brasileiros) uma modalidade de racismo sutil e dissimulada.
continua
Escrito por geovanimachado às 15h14
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CONGRESSO DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL SÃO PAULO
CONSTRUINDO UM PROJETO POLÍTICO DA POPULAÇÃO NEGRA NO ESTADO DE SÃO PAULO - foi o tema definido por São Paulo que se prepara para o Congresso Nacional de negras e Negros do Brasil
No dia 14 de abril das 9 às 18h em São Paulo, capital reuniram cerca de 150 negras e negros (conforme tabela usada na Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial). A pauta deste encontro foi: Organização do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, no Estado de São Paulo.
O encontro tratou dos seguintes temas: ANÁLISE DE CONJUNTURA ESTADUAL, ANALISE NACIONAL - BRASIL X AFRICA; OBJETO DO CNNNBr ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL, PERSPECTIVA DO MOVIMENTO NEGRO e escolheu ainda os indicados para representar São Paulo na Coordenação Política Nacional preparatória do Congresso de Negras e Negros do Brasil. O encontro preocupou-se também em definir a Coordenação de São Paulo, além de pautar questões como: composição das subcomissões, organização e estrutura, mobilização e articulação, comunicação, finanças e as temáticas. Além disso definiu uma agenda de atividades em São Paulo e a mobilização para o Lançamento Nacional no dia 20 de abril do corrente ano em Belo Horizonte.
Escrito por geovanimachado às 15h09
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Minas gerais
Parte II
Na atualidade, as imagens da violência urbana cotidiana veiculadas pelos principais meios de comunicação, testemunham ofensas aos direitos humanos em nosso país. Simbolizam ao mundo a desigualdade de gênero, raça e classe e o caráter violento das elites e da injustiça social. Os fatos e os dados comprovam que a nossa sociedade e o Estado são ainda marcados pelo racismo pelo machismo, pela exclusão social e opressão, pela discriminação e o preconceito contra povos e culturas.
É imperativo contrapor a este projeto político racista e machista, que há longo tempo está posto, e que tem como meta a preservação do capitalismo e da hegemonia branco-européia sobre as outras etnias que compõem a sociedade brasileira. A necessidade de construção de um novo projeto, fica a cada dia mais evidente, pois embora avancemos em nossa luta, embora acumulemos importantes vitórias, a condição de vida da população negra a cada dia ganha contornos mais degradantes. Embora a ciência e a tecnologia criem condições de melhor combater as mazelas que se abatem sobre as populações, como doenças, falta de alimentos, tragédias ecológicas, moradias precárias e outras, os índices negativos em relação às populações negras no Brasil e no mundo se mantém inalterados e em muitos casos agudizados. Esse desafio político se coloca hoje para o Movimento Negro brasileiro.
Pode-se afirmar que o Movimento Negro Contemporâneo é o conjunto de grupos e organizações que desenvolvem a luta política conta o racismo a partir da década de 1970. Nos últimos 30 anos o MN influenciou a luta política contra o racismo e colocou a desigualdade entre negros e brancos na agenda do Estado brasileiro. O MN ampliou sua base social em outras frentes de lutas como partidos, sindicatos, igrejas, mulheres, estudantes, organizações não governamentais, movimentos da cidade e do campo, a assumir a luta anti-racista a partir da ótica formulada pelo MN.
Passado este momento histórico, hoje são necessários outros rumos para a formulação de uma nova estratégia política para o combate ao racismo no Brasil. Precisamos estabelecer ferramentas teóricas, políticas e organizativas para o MN brasileiro e para a luta pela superação do racismo. É nesse contexto que se coloca a necessidade de um projeto político do povo negro para o país. O fórum político para o debate e a elaboração desse projeto é a organização de um Congresso Nacional.
O Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil é, talvez, um dos mais importantes momentos da história do Movimento Negro brasileiro. Pela primeira vez está se construindo uma concertação política que visa reunir todas as grandes entidades nacionais, as articulações e as redes construídas pelo diversidade de grupos e organizações negras nas últimas décadas. O Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil será lançado em abril de 2007 e terminará no primeiro semestre de 2008.
É para participar do rico processo de construção do Congresso que convidamos todas as entidades, grupos, organizações, e em especial, o conjunto da militancia negra e anti-racista de Minas e do Brasil. Realizaremos a primeira Plenária Estadual de Minas no dia 14 de abril – sábado (último dia do Cronograma) para eleição dos delegados (as) que participarão do Lançamento Nacional do Congresso que será em Belo Horizonte no dia 20 de abril e da Assembléia Nacional nos dias 21 e 22 . A Plenária Estadual de Minas também elegerá 2 representantes para a Coordenação Política Nacional do Congresso.
Escrito por geovanimachado às 14h55
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Minas Gerais
O Congresso de Negras e Negros do Brasil em Minas ocorreu neste final de semana e debateu:
Construindo um Projeto Político do Povo Negro para o País
Parte I
O povo negro brasileiro sempre desempenhou um papel determinante em todas as fases de produção da riqueza e do desenvolvimento do país. Da tecnologia africana largamente utilizada no ciclo do ouro à expansão da atividade agrícola, da industrialização à construção das cidades e a constituição do acervo patrimonial da cultura brasileira, o povo negro, de modo geral, sempre teve os seus direitos negados pelas elites políticas, empresariais, econômicas, religiosas, intelectuais.
Todo o esforço empenhado na construção do Brasil jamais foi suficientemente convertido em reconhecimento social e instrumento de mobilidade e desenvolvimento sócio-econômico da população negra. Submetido inicialmente ao processo colonial escravista, o povo negro ainda se encontra sob as determinações restritivas do sistema capitalista, sobrevivendo no desemprego, em atividades de baixa remuneração, sem acesso aos bens urbanos e culturais, afastado do ensino de qualidade e constituindo as maiorias excluídas das cidades e da cidadania.
Como exemplo, o sistema de segurança pública no Brasil, têm na violência policial e nas condições indignas e subumanas do sistema prisional, os vetores principais da política aplicada há séculos pelo Estado sobre a população negra e pobre do Brasil, pelos organismos de segurança pública, destacando o Poder Judiciário através da Justiça Criminal e a Polícia de um modo geral.
Escrito por geovanimachado às 14h55
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Noticias do Congresso Brasileiro de Negras e Negros
Plenária Estadual de Minas Gerais ocorreu em Minas
14 de abril – Sábado - 9 às 17 horas
Pauta :
1) Informes do Congresso Nacional
2) Eleição de delegados para Assembléia Nacional
3) Eleição de 2 representantes de MG p/a Coordenação Política Nacional
Inscrição - 30,00 c/café da manhã e almoço. Quem chegar no dia 23 (Sexta) terá hospedagem
Local: Escola Sindical 7 de Outubro – Rua Nascimento,101 – Barreiro de Cima
Telefones: (31) 3383 6789 - 3383 8877
- Quem chega pela Rodoviária de BH – Tomar ônibus 35 (direto) na Av. Paraná em frente a Rodoviária e descer na Estação Barreiro. Nas estação, tomar ônibus 325 (Flávio Marques) e descer na Av. Olinto Meireles no Colégio Francisco Bicalho.
E - mail: congressonacionalnegrasenegros@yahoo.com.br
Fundação Centro de Referencia da Cultura Negra – (31) 3222 5777 - 96029357 / Cenarab/MG – (31) 3222 0704
Lançamento Nacional do Congresso – 20 de abril – CREA – Av. Alvares Cabral, 1600
Assembléia Nacional – 21 e 22 de abril – SESC Venda Nova – Rua Maria Borboleta s/n.º - B. Jardim Comerciários – Ônibus - 2224 – Tomar na Av. Afonso Pena – Centro
"o nosso futuro é cada vez mais nosso passado"
Marcos Antônio Cardoso
P/ Comissão de Mobilização MG
Escrito por geovanimachado às 14h52
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CONGRESSO DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL - ESPECIAL
ÚLTIMA PARTE
CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL
Comunicado no. 1 – abril de 2007 - circulação interna na Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN
O Congresso que queremos!
Uma longa trajetória de organização do combate ao racismo
A trajetória de organização da população negra na diáspora tem sido marcada, nacional e internacionalmente, por Encontros, Conferências, Convenções e Congressos.
No Brasil é importante lembrarmos do I Congresso Afro – Brasileiro realizado em Recife/Pernanbuco no ano de 1934 e o II Congresso Afro – Brasileiro realizado em Salvador/Bahia em 1937, dois congressos de caráter acadêmico e/ou científico organizados pela intelectualidade brasileira da época.
No ano de 1945, enquanto no exterior era realizado o V Congresso Pan – Africanista, na cidade de Manchester na Inglaterra, em São Paulo, estava sendo organizado pelo Teatro Experimental do Negro, a I Convenção Nacional do Negro, que lançou um manifesto à nação propondo, entre outras reivindicações, a formulação de uma lei anti – discriminatória.
Um outro momento importante foi a Conferência Nacional do Negro instalada em maio de 1949. Reuniu representantes de organizações negras de vários Estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A Conferência visava articular um programa para organizar a comunidade negra e ampliar a consciência popular a respeito do caráter racista das teorias antropólogicas e sociológicas convencionais. Entre os conferencistas estavam Abdias do Nascimento, Edson Carneiro, Guerreiro Ramos, Roger Bastide, Florestan Fernandes, Aguinaldo Camargo, entre outros. Esta conferência deu continuidade aos seus trabalhos através da criação de um comitê de organização do I Congresso do Negro Brasileiro, que foi realizado no Rio de Janeiro no ano de 1950.
Realizando uma ponte entre esses momentos importantes de organização da população negra do passado com a de nossos dias a CONEN está empenhada, numa ação conjunta de práticamente todas as organizações do movimento negro brasileiro, em realizar o Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil no ano de 2008.
Este texto foi elaborado a partir de um documento apresentado pela CONEN na Assembléia Nacional realizada nos dias 13 e 14 Janeiro de 2007, no Rio de Janeiro, que deu início ao processo de organização do Congresso Nacional de Negros e Negras do Brasil.
Fim
Escrito por geovanimachado às 14h47
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CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL - ESPECIAL
PARTE III
O Congresso que queremos!
Na CONEN, diante desses problemas comuns decorrentes da globalização e do neoliberalismo, faces atuais do capitalismo que se alimenta de privilégios e que para mantê-los recria o racismo e outras formas de dominação, temos avançado em uma compreensão felizmente unitária: o enfrentamento a esta realidade sintéticamente analisada só é possível com o fortalecimento de articulações nacionais e internacionais, com a globalização de nossas lutas e a construção de sociedades plurais e diversas.
Para concretizarmos estes objetivos, entretanto, reconhecer as diferenças de estratégias na condução da luta de combate ao racismo em nosso país e no mundo, também será fundamental para podermos estabelecer futuramente pontos de unidade para o o que deve ser o principal objetivo do Congresso que queremos: a busca de um projeto político e de novas estratégias para o combate ao racismo no Brasil.
A importância das entidades negras na construção do Congresso
Fortalecer a ação das entidades negras é a principal marca do movimento negro contemporâneo.
A partir de sua principal referência político – organizativa, a realização no dia 7 de Julho de 1978 de um Ato Público nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo onde foi lançado o Movimento Unificado contra a Discriminação Racial (MUCDR), depois transformado em Movimento Negro Unificado (MNU), grupos e entidades negras são criados entre os jovens, as mulheres, os sindicalistas, os religiosos, os esportistas, os empresários e diversas formas de organização da população negra brasileira.
Surgiram as iniciativas de articulações por Estado, por Região e em âmbito nacional. É bastante significativa a realização dos Encontros Regionais de grupos e entidades do Sul/Sudeste, Centro/Oeste e Norte/Nordeste. A região Norte/Nordeste foi quem mais avançou nesse processo chegando a realizar o X Encontro das Entidades Negras das Regiões Norte/Nordeste.
Destes encontros surgiu a necessidade de convocar um Encontro Nacional de Entidades Negras (ENEN) que foi realizado em 1991, na cidade de São Paulo, onde foi criada a Coordenação Nacional de Entidades Negras, a CONEN.
Como decorrência dessa mobilização surgem importantes entidades de âmbito local ou regional e importantes organizações e articulações nacionais ganham visibilidade no cenário político do país.
Toda essa movimentação fortaleceu a ação de militantes, negros e negras, organizados em grupos e entidades em práticamente todas as regiões do país, cumprindo a principal meta no período, que foi a de difundir por toda a sociedade qual era a situação de discriminação, preconceito e racismo em nosso país.
CONTINUA
Escrito por geovanimachado às 14h42
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CONGRESSO DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL - ESPECIAL
PARTE II
CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL
Comunicado no. 1 – abril de 2007 - circulação interna na Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN
O Congresso que queremos!
Uma nova ordem (ou desordem) mundial impulsionada pelas elites e classes dominantes tenta se perpetuar com base na violência que atinge principalmente a juventude negra, na destruição da esfera social e cultural, na manutenção das desigualdades raciais e de gênero,
É a partir desse novo contexto da luta contra a opressão neoliberal e do recrudescimento do racismo que devemos iniciar nossas conversas para a construção de um Congresso Brasileiro de Entidades Negras. São necessários outros rumos para nossos debates sobre a formulação de uma nova estratégia política para o combate ao racismo no Brasil.
Necessitamos estabelecer ferramentas teóricas, políticas e organizativas para o avanço do Movimento Negro Brasileiro e da luta pela superação do racismo. Elaborar um projeto político e uma nova agenda para o combate ao racismo no Brasil, onde seja possível a convivência democrática, fraterna e com justiça social.
Em nosso país o movimento negro é reconhecido como o sujeito histórico capaz de mobilizar, planejar e executar as ações para superar as desigualdades sócio – raciais , mas são necessárias as alianças com outros setores para ampliação dessa luta.
O internacionalismo do combate ao racismo, tão importante para o início do movimento negro contemporâneo na década de 70 , é fundamental para melhor compreendermos como os processos de mundialização ou globalização em curso interferem em nossas estratégias de enfrentamento aos desafios do atual contexto de luta no Brasil e no mundo.
continua
Escrito por geovanimachado às 14h38
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CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL - ESPECIAL
PARTE I
CONGRESSO NACIONAL DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL
Comunicado no. 1 – abril de 2007 - circulação interna na Coordenação Nacional de Entidades Negras - CONEN
O Congresso que queremos!
Os acontecimentos que marcaram a luta contra o racismo no Brasil nos anos 70, nas décadas de 80 e 90, que colocaram o debate da desigualdade entre negros e brancos na agenda do Estado brasileiro, assumem , no início do século XXI, uma nova conformação política nas ações do movimento negro.
Essa nova conformação rivaliza com uma conjuntura onde a implementação de ajustes estruturais nas economias de muitos países, entre eles o Brasil, baseados em planos e projetos de cunho neoliberal, organizam a sociedade sobre a lógica do mercado, inclusive os direitos à cidadania.
Onde a competição e o individualismo são estimulados em detrimento da luta coletiva por melhores condições de vida, igualdade e ganhos mais justos no trabalho, tornando uma imensa maioria de trabalhadores, excluída definitivamente da produção e do desenvolvimento.
Uma conjuntura que propicia a ampliação da desigualdade e a divisão racial no trabalho, que se expressa por meio das diferenças salariais entre negros e brancos, diferentes possibilidades de acesso às políticas públicas e maiores taxas de desemprego entre os trabalhadores e trabalhadoras negras.
continua
Escrito por geovanimachado às 14h36
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Calendário Conferências das Mulheres RS
26/04 – Quinta-feira Cristal (9h, CTG Bento Gonçalves); Rosário do Sul (9h, Clube União); Lajeado (13h30min, na Prefeitura); Canela (13h, na Câmara Municipal); Guaíba (8h30min, na Prefeitura)
27/04 – Sexta-feira São Francisco de Assis (Regional, 8h30min, CTG Negrinho do Pastoreio); Vacaria (Regional, 8h30min, na Câmara Municipal); Caçapava do Sul ( 8h30min, E.E. Dinarte Ribeiro); Santana do Livramento (7h30min, na Escola Santanense); Barra do Ribeiro; Cachoeira do Sul (8h30min, na Câmara Municipal); Cachoeirinha (8h30min, na Sociedade Esportiva de Cachoeirinha)
28/04 – Sábado Veranópolis (13h30min, na UCS); Caxias do Sul (8h30min, na Câmara Municipal); São Leopoldo (13h30min, EM Irmão Weibert); Serafina Corrêa (regional, 8h30min, Câmara Municipal); Capão da Canoa (14h, Prefeitura Municipal); Passo Fundo (9h, Câmara Municipal)
30/04 – Segunda-feira Charqueadas (13h30min, Clube Tiradentes); Canguçu (8h30min, Secretaria Municipal de Educação)
02/05 – Quarta-feira Três de Maio (sem horário e local definido)
04/05 – Sexta-feira Alvorada (9h, Câmara Municipal)
05/05 – Sábado Palmeira das Missões (8h, Ginásio do Parque de Exposições)
Escrito por geovanimachado às 14h16
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Calendário das Conferências das Mulheres no RS
Calendário das Conferências Municipais:
Dia: Município:
17 de abril Esteio – Na Prefeitura – 14h Garibaldi – na CIC – 14h
18 de abril Arroio do Tigre (regional, 8h30min, Clube 25 de Julho)
Torres (8h, auditório da Ulbra)
19/04 – Quinta-feira Santiago (8h, Lyons); Sapucaia (13h, Acis); Rio Grande (19 e 20, na Furg)
20/04 – Sexta-feira Tramandaí (Regional, 8h30min, na Prefeitura)
25/04 – Quarta-feira Montenegro (Regional, 8h, no teatro); Miraguaí; Novo Hamburgo (8h, no Centro Administrativo); Vale do Rio Pardo ( Regional, 13h30min, na Câmara Municipal de Santa Cruz do Sul); Tapes (8h, na AIAPT);
Escrito por geovanimachado às 14h16
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Mulheres
Boletim Nº 1 da III CEPM/RS- Abril 2007-Edição da Comissão organizadora
Regimento
Já está disponível no site da Coordenadoria Estadual da Mulher, o Regimento da III CEPM, contemplando as sugestões recebidas dos movimentos de mulheres.
Comissão Organizadora
Foi publicado no Diário Oficial do dia 16/04, o ato da Governadora que institui a Comissão Especial para organizar a III CEPM do RS, que vai atuar sob a presidência da coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher, Maria Helena Gonzalez. São integrantes da comissão organizadora, Angela Kravczyk, Lidia Nogueira, Fernanda Machado e Mayara Leite, que representam a CEM, e as integrantes da executiva do Conselho Estadual de Direitos da Mulher, Eunice Flores, Iara Lopes, Ana Elusa Rech, Jussara Brito, Eliane Silveira e Helen Monteiro.
Regulamento e Programação
Está aberto o prazo para o envio de sugestões e contribuições para a composição da programação e do regulamento da III CEPM. Os movimentos de mulheres podem enviar suas propostas para o email conferenciaestadualmulheres@gg.rs.gov.br, até o dia 30/04. A Comissão Organizadora vai sistematizar as contribuições para apresentação na próxima plenária da III CEPM.
No Site
A Comissão de Comunicação já está encaminhando a proposta de site específico da III CEPM. Enquanto isso, todas as informações sobre a III CEPM podem ser acessadas no site da Coordenadoria Estadual da Mulher (www.cem.rs.gov.br). Já estão disponíveis o Regimento e o calendário das conferências municipais e regionais. Também serão publicadas no site, a relação das comissões de trabalho com suas respectivas integrantes, bem como todos os relatórios das conferências municipais e regionais, na medida em que chegarem na CEM.
Comissões
Anote as datas e locais das próximas reuniões das comissões de trabalho:
Articulação e Mobilização – reúne todas as quintas, às 18h, no auditório do CAFF.
Comunicação – Reúne todas as terças, às 18h30min, no 3º andar, na ALRS.
Relatoria – Próxima reunião dia 03/05, às 17h30min, no 19º andar do CAFF, na sala do Pró-Guaíba
Secretaria
A secretaria da III CEPM está funcionando junto à Coordenadoria Estadual da Mulher, na Rua Siqueira Campos, 1184, 6º andar, Fone/fax: (51) 3221.4438 / (51) 3221.4434. Informações com Melissa.
segue calendário....
Escrito por geovanimachado às 13h37
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ENCONTROS MUNICIPAIS DA UNEGRO RS
Neste final de semana a Unegro - União de Negros pela Igualdade do RS iniciou seu processo de encontros preparatórios ao II CONGRESSO ESTADUAL E III CONGRESSO NACIONAL da Unegro.
Os Municipios de Porto Alegre, Canoas e Campo Bom realizaram sábado e domingo suas atividades onde debateram as Teses " Um Passo Além da Proposta" da Unegro com objetivo de contribuir com opiniões para o fechamento das teses em Junho no Congresso Nacional.
Outros municípios já estão agendados.
Qualquer dúvida entrar em contato pelo: 96440437, pelo email: unegrors@gmail.com.br ou pelo blog através de recados.
Escrito por geovanimachado às 11h54
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debate
Negritude e trabalho no Brasil - II Parte
O falso mito da democracia racial no Brasil encobre, durante o início do séc XX as más condições, a precarização e o desemprego do trabalhador negro. Durante os "anos dourados", apesar do desenvolvimento econômico alcançado, os negros ocupam os cargos de menor qualificação e remuneração. Consequência do cruzamento da precariedade da educação oferecida, dificuldades de acesso à escolarização, distância ou inexistência de equipamentos sociais, legislação discriminatória (até pouco tempo atrás, "vadiagem" era considerada contravenção, passível de detenção, num país que sabidamente não tem empregos suficientes para toda a população), preconceito e discriminação, o emprego oferecido à população negra é geralmente o menos qualificado, por conseguinte, pior remunerado. Como todo o preconceito tem uso para o capital, são associadas à etnia características como maior força física, menor capacidade intelectual e capacidade de obediência. A partir disto, encontramos entre as ocupações usualmente ocupadas por negros e negras os trabalhos domésticos, de asseio e conservação (para ambos os sexos), trabalhos braçais (estiva, construção civil, vigilância).Segundo pesquisa realizada pelo DIEESE, a situação do trabalhador negro no Brasil hoje é de "reiterada desigualdade", para ambos so sexos, no mercado de trabalho das seis regiões metropolitanas estudadas.
As desigualdades no mercado de trabalho entre negros e não-negros - DIEESE
Nenhum outro fato, que não a utilização de critérios discriminatórios baseados na cor dos indivíduos, pode explicar os indicadores sistematicamente desfavoráveis aos trabalhadores negros, seja qual for o aspecto considerado. Mais ainda, os resultados permitem concluir que a discriminação racial sobrepõe-se à discriminação por sexo, combinando-se a esta para constituir o cenário de aguda dificuldade em que vivem as mulheres negras, atingidas por ambas.
A comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não-negros, apresentando cerca de 8 pontos percentuais de diferença (25,7% entre os negros e 17,7% entre os não-negros). Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças. Ainda que em proporções elevadas, os menores diferenciais ocorrem no Distrito Federal e em Recife.
No total das regiões, 50% dos desempregados são negros, o que corresponde a 1.479.000 pessoas, em 1998. Em Salvador, os negros são 86,4% dos desempregados e, em Recife e no Distrito Federal, cerca de 70%. Já em Porto Alegre, representam 51,4% do total de desempregados.
Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador e Porto Alegre, a cor discrimina mais no desemprego que o sexo do trabalhador, ou seja, as taxas de desemprego são maiores entre os homens e mulheres negros que entre as mulheres não-negras.
O mesmo efeito discriminatório da cor se verifica na comparação entre as taxas de desemprego entre os homens negros e os não-negros. As maiores diferenças nestas taxas encontram-se em Salvador, onde o desemprego entre os homens negros é 57,9% maior que entre os homens não-negros, e em São Paulo, onde esta diferença é de 51,4%.
Em todas as regiões, as mulheres negras apresentam as maiores taxas de desemprego. No entanto, as diferenças destas taxas entre as mulheres negras e não-negras são consideravelmente menores do que entre os homens, variando do maior patamar, 36,0% de diferença em Salvador, até o menor (6,7%), no Distrito Federal. "
A constatação e aceitação da realidade acima descrita são o primeiro passo para transformar desigualdades, geradoras de mazelas sociais, em diferenças, com as quais a sociedade deve aprender a conviver. A relação entre trabalho, qualidade de vida e equilíbrio social é determinante para a busca de uma sociedade igualitária e mais justa. A discriminação, apesar de características culturais e sociais, tem em seu fundamento básico a exploração do homem pelo homem, a geração de lucro, a apropriação do capital. Por isto, a luta pelo fim de todos os preconceitos é fundamental para todos aqueles que entendem necessário o fim da barbárie chamada capitalismo.
Bibliografia - O Afrodescendente Agente de Saúde Ambiental – cadernos 1, 2 e 3 Ed. SEMAPI / - História do Brasil – Luiz Koshiba e Denize Manzi Pereira / - O tráfico Explica a Escravidão – Fernando Novais / - Mapa da População Negra no Mercado de trabalho - DIEESE.
Regina Abrahão – Secretária Políticas Sociais CUT RS
Escrito por geovanimachado às 11h47
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Debate
Negritude e trabalho no Brasil - I Parte
A reação do nativo, por seu entendimento sobre trabalho e sua estrutura organizativa, tornou-se uma ameaça para o colonizador. Como conhecia o território, as fugas eram comuns, além de reagir à violência do branco de forma igualmente violenta. Destaca-se também a posição dos jesuítas, que, voltados para catequese do índio, opunham-se à sua escravidão. Desta forma, apenas a economia extrativista do norte baseou-se na mão-de-obra escrava indígena.
No resto do território, o negro foi o fator propulsor da economia, já que o sistema capitalista nascente não tinha como pagar salários para milhares de trabalhadores, e a população portuguesa, que não chegava aos 3 milhões, era considerada reduzida para oferecer assalariados em grande quantidade. Mas provavelmente o mais forte dos motivos tenha sido a renda gerada pelo tráfico de escravos, uma das principais fontes de acumulação de capital para a metrópole. Com o tráfico de índios, o lucro não chegava à Portugal, ficando na colônia. Não por acaso, o capital resultante do tráfico de escravos foi quem organizou a imigração européia, quando o capitalismo nascente precisava de mercado consumidor. E este "negócio" foi a origem do capital financeiro que hoje domina a economia brasileira.
Para se ter idéia do volume de capital gerado pelo tráfico, a quantidade de escravos em 1681 atingia a cifra de 1 milhão de negros trazidos somente de Angola. Estes escravos foram responsável inicialmente pelo abastecimento da lavoura canavieira em expansão nos séculos XVI e XVII . Posteriormente foram usados nas áreas de mineração e da lavoura cafeeira, nos séculos XVIII e XIX respectivamente.
O tráfico negreiro era usual em Portugal. Desde meados do século XV , o comércio de escravos era regular em regiões da europa e suas recém-invadidas colônias. Durante o reinado de D. João II o tráfico negreiro foi institucionalizado com a ação direta do Estado português, que cobrava taxas e limitava a participação de particulares.
Quanto à procedência étnica do negro, destacaram-se dois grupos importantes: os bantos, capturados na África equatorial e tropical provenientes do Congo, Guiné e Angola, e os sudaneses, vindos da África ocidental, Sudão e norte da Guiné. E entre os elementos deste segundo grupo, destacavam-se muitos negros islamizados, responsáveis posteriormente por uma rebelião de escravos ocorrida na Bahia em 1835, conhecida como a Revolta dos Malês.
Foi com o trabalho escravo que desenvolveram-se atividades as econômicas que garantiram a sustentabilidade do Brasil colônia e de Portugal durante o período: a mineração, a extração e o beneficiamento da cana-de-açúcar, tabaco, algodão, café e a produção de couro e charque, além dos serviços domésticos e da agricultura de subsistência.. Haviam ainda os escravos que prestavam serviços remunerados, devendo estes pagar tributo ao proprietário, os chamados escravos de ganho. E por fim, escravos que eram alugados para cumprir determinados ofícios qualificados, como alfaiates, pedreiros, artesãos, carpinteiros, determinados escravos de aluguel.
Quando inicia-se a revolução industrial, e o mercado europeu começa a necessitar consumidores, a mão-de- obra escrava passa a ser um fardo para o capitalismo nascente, uma vez que, por não ser assalariado, o escravo não possuía poder de compra. Institucionalizada a "abolição", um enorme contingente de ex-escravos é transferido das senzalas para as áreas desabitadas, formando então os primeiros cinturões de miséria. Milhares de negros, sem emprego, sem moradia, sem nenhum tipo de garantias de vida eram encontrados ora escondidos nos morros, ora perambulando e mendigando nos centros urbanos atrás de comida e ocupação. A capoeira passa a ser proibida por lei; capoeiristas eram presos, condenados ao degredo ou à morte, em caso de suspeita de chefia de malta (grupos organizados de capoeiristas). A cultura, a música e a religiosidade negras eram violentamente reprimidas e/ou criminalizadas.
Desta forma, o negro se vê excluído da sociedade e do mercado de trabalho emergente. Isolado em áreas distantes dos centros populacionais, aos poucos começa a vender sua força de trabalho para pequenos serviços, justamente aqueles mais desqualificados e penosos. Mesmo quando empregado, encontra nas relações de trabalho a reprodução dos conceitos produzidos na escravidão. Data daí a expressão "trabalho de negro", que se referia a tarefas desagadáveis, pouco produtivas e mal-remuneradas.
Continua...
Escrito por geovanimachado às 11h46
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